Quem eu sou de verdade

Uma história de
reconstrução.

Todo terapeuta carrega uma história que moldou sua forma de cuidar. Essa é a minha — sem filtro.

Cinco anos de idade
e um rosto que
mudou tudo.

Aos 5 anos de idade, me queimei com feijão fervendo. O rosto ficou marcado. E crescer com um rosto diferente não é uma "sensação" — é algo muito prático. As pessoas te olham diferente na rua. Muitas têm coragem de perguntar. Outras se constrangem. Crianças, com sua ausência de filtros, chegam direto: "O que aconteceu com seu rosto?"

Não sei quantas milhares de vezes respondi essa pergunta. Na escola, a queimadura virou motivo de chacotas — me chamavam de "feijão". Nas fotos, sempre mostrava o lado não queimado. Usava cabelo grande, bonés, chapéus. Dizia que não sentia vergonha — e era verdade no sentido de que não deixava de fazer as coisas. Mas o comportamento de esconder estava lá, automático. (Até hoje, quando alguém vai tirar uma foto, o movimento é automático.)

Por conta das queimaduras, não podia pegar muito sol. Meus pais me protegiam com amor — me dando computadores e videogames. Me tornei uma criança mais parada, com autoimagem difícil. Aos 10 anos pesava 80kg. Gordinho, baixinho, com o rosto marcado. E crescendo ouvindo que era desorganizado e preguiçoso — quando na verdade tinha TDAH não diagnosticado que só seria identificado aos 27 anos.

Foto da infância
[adicionar ao site]

Giovânni ainda criança

Como a nutrição
me reconstruiu.

Na adolescência, sozinho na internet, descobri nutrição e exercício físico. Sem ninguém me empurrar. Emagreci. Comecei a musculação. E pela primeira vez, me senti no meu corpo de um jeito que nunca havia sentido — como se eu finalmente habitasse o lugar onde eu vivia.

Isso não foi só estético. Foi uma reconstrução de identidade. O menino gordinho e queimado começou a se tornar outra coisa — não porque o rosto mudou, mas porque a relação com o próprio corpo mudou. Essa experiência ficou gravada em mim e informa até hoje como trabalho com autoestima, imagem corporal e autodeterminação.

Hoje pratico musculação, futebol, rugby, pilates, natação e faço aulas de dança — pagode e forró. Sou parceiro para tudo que envolve corpo e movimento.

Me apaixonei tanto pelo tema que fui cursar Nutrição antes da Psicologia. Aprendi muito. Mas logo esbarrei num limite que definiria toda a minha trajetória:

"Eu sabia exatamente qual era a melhor dieta para cada paciente. Mas não tinha nenhum conhecimento prático de como ajudá-los a segui-la. E via em mim mesmo a enorme dificuldade de autodeterminar meu comportamento — mesmo sabendo exatamente o que era certo fazer."

Essa contradição me empurrou para a Psicologia. A pergunta que trouxe foi: como as pessoas mudam de comportamento de verdade?

Yoga, Reiki e a busca
por entender a mente.

Antes de entrar na psicologia, percorri outros caminhos. Me envolvi com o Yoga — não como atividade física, mas como prática para aprender a lidar com a própria mente. Estudei Reiki. Explorei espiritualidade por perspectivas religiosas muito distintas, buscando uma linguagem para o que se passava dentro de mim.

Não tenho vergonha desse caminho — ele foi honesto. Com o tempo, o rigor científico foi tomando o lugar das explicações metafísicas. Não com desdém pelo percurso, mas com clareza sobre o que funciona. A profundidade que aquele período me deu ainda está presente na forma como conduzo cada sessão.

O que esse caminho me ensinou

Que a mente é tão real quanto o corpo — e merece a mesma atenção.

Que presença e escuta não são técnicas — são posturas de vida.

Que curiosidade sobre o humano precisa de método para não virar dogma.

Da psicanálise
à evidência.

01
Por que a psicanálise me atraiu

A narrativa psicanalítica é sedutora: mudanças profundas e duradouras, a arte da escuta, a riqueza do inconsciente. Me identificava com a postura do analista — quieto, atento, capaz de ver o que os outros não viam. Passei anos dentro dessa perspectiva com genuína entrega.

02
O desencanto gradual

Com o tempo, o incômodo cresceu: interpretações irrefutáveis e muito pessoais dos analistas; falta de técnicas práticas para pacientes que precisavam de mudanças mais rápidas; ausência de monitoramento de progresso; e um elitismo dentro da própria psicanálise que tornava o tratamento privilégio de poucos.

03
A pergunta que não dava para ignorar

Comecei a buscar pesquisas sobre eficácia de tratamentos. O que encontrei me inquietou: as abordagens com maior evidência de resultado eram exatamente as que eu menos usava. Com meu hiperfoco de TDAH, mergulhei na literatura científica — e não havia mais como fingir que não tinha visto o que vi.

04
A escolha ética

Abrir mão de uma identidade clínica construída por anos não foi fácil. Mas ficou claro: continuar seria uma escolha por mim — não pelo paciente. InPBE, PUC-RS, Grupo Wainer, ITH. Cada especialização foi uma afirmação: quero oferecer o melhor disponível, não o que prefiro teoricamente.

05
Ciência com sensibilidade

Hoje integro o rigor das abordagens com maior evidência — TCC, ACT, FAP — com a dimensão humana que aprendi desde sempre: nenhuma técnica funciona sem uma relação terapêutica genuína. "Ciência com sensibilidade" não é slogan. É uma síntese honesta do caminho que percorri.

Diagnóstico tardio

TDAH aos 27 anos.
E tudo fez sentido.

Tirava 10 na faculdade — mas o esforço era desproporcional. Trabalhos sempre atrasados, estudos sempre de última hora. Criava sistemas e atalhos só para conseguir funcionar onde outros não precisavam. Cresci ouvindo "desorganizado" e "preguiçoso".

Para qualquer coisa que me apaixonava, porém, era completamente focado e obstinado. A inteligência no percentil 89 compensava muito — e escondia o custo real. O diagnóstico tardio foi uma reconstrução lenta de narrativa pessoal.

O que isso me deu

Empatia real com quem tem TDAH. Sei o que é compensar com esforço duplo, ser mal compreendido pela própria família, e descobrir tarde demais que o problema nunca foi falta de vontade.

O que me ensinou sobre terapia

Diagnóstico tardio não é derrota — é clareza. E clareza, mesmo tardia, ainda muda tudo. Nenhuma pessoa é preguiçosa: sempre há algo mais complexo por baixo.

Uma vida construída
com intenção.

Corpo e movimento

Musculação, futebol, rugby, pilates, natação, dança (pagode e forró). Sou parceiro para tudo que envolve movimento — inclusive para pacientes que falam de esporte.

Mente e curiosidade

Xadrez, poesia, cozinha, piano (arranhando ainda), filosofia, neurociências. Sou um devorador de saberes — e as IAs me fascinam de um jeito que só o TDAH hiperfocado explica.

Pessoas e momentos

Família, amigos que são família, sobrinhos amados de verdade. Grêmio na geral. Gramado no inverno. Pesca em barragem. Praia. Porto Alegre quando dá.

Rotina e alta performance

Acordo cedo para estudar e treinar. Amo trabalhar. Sou competitivo — comigo mesmo mais do que com os outros. Vivo de forma extremamente rotineira, mas com curiosidade constante por coisas novas. Sou uma pessoa extremamente gentil, calorosa, bem-humorada e leve — mas que não nega um bom desafio intelectual.

Horizonte

O que ainda
quero construir.

01

Clínica multiprofissional

Psicologia, medicina, nutrição e movimento trabalhando juntos, de forma integrada e baseada em evidências.

02

Escola de formação

Formar psicoterapeutas que saiam com base científica sólida e habilidades clínicas reais — não só teoria.

03

PBE no SUS

A experiência na CuidaATIVA me mostrou o que é possível com cuidado de qualidade. Quero isso em escala, para quem não pode pagar.

Eu vivi a teoria.

Senti no corpo o que li nos livros. Me submeti ao tratamento que aplico. São sete anos de psicoterapia — não como formalidade de formação, mas como busca real: eu precisava de ajuda, e fui atrás dela em cada escola que a psicologia oferecia.

Fiz tratamento para insônia e para melhorar meus relacionamentos com a TCC. Me submeti a um processo humanista com um terapeuta psicodramatista. Passei por uma análise com uma psicoterapeuta de orientação analítica. Hoje, faço psicoterapia com um terapeuta ACT.

Cada professor e cada psicoterapeuta tiveram sua função. Cada teoria me ensinou algo que carrego — como pessoa e como clínico.

ψ

Da psicanálise — a profundidade

Dos recônditos do Acheronta movebo freudiano, aprendi a não desviar o olhar da agressividade humana — a minha e a dos meus pacientes. Com Ferenczi, Winnicott e Bion, aprendi que a clínica é um ato criativo: cada encontro inventa algo que não existia antes.

Do humanismo — a presença

De Rogers e Moreno, recebi a profunda presença humana e a fé no potencial individual. Aprendi que nenhuma técnica funciona sem um encontro genuíno entre duas pessoas — e que acreditar na capacidade do outro já é, em si, terapêutico.

Da ciência — o rigor

Até finalmente encontrar Skinner, Beck, Hayes, Linehan — e o compromisso de só oferecer o que funciona. O rigor não substituiu a profundidade nem a presença: deu a elas direção, método e a honestidade de medir resultados.

Como vivo hoje

Vivo filosoficamente pautado sobre a tensão dialética entre aceitação e mudança — profundamente conectado com meus valores:

Ser um humano justo

Estar presente na vida de quem amo

Ajudar as pessoas

Desenvolver ao máximo meus potenciais

Ter abertura e aprender com cada experiência

Ser autêntico, gentil e compassivo nas relações

Me tornei
pessoa.

"Já passei pelo inferno psicológico e saí vivo.
Voltei ao inferno diversas vezes para buscar meus pacientes — e continuo vivo."

Quem eu sou — além do consultório

Sou um leitor sensível da complexa rede que configura os comportamentos humanos — e um desapaixonado intelectual das ciências que os estudam. Um cientista criativo e um artista metodológico: no mesmo gesto clínico, vejo neurônios e alma em ação. Uno com a tecnologia, cético com os algoritmos. Aprendi que a ferramenta nunca substitui a pergunta — e que a boa dúvida vale mais que mil respostas. Eterno principiante. Jovem ancião. Monge em retiro espiritual no meio da humanidade; cientista em laboratório vivo e caótico.

Sou o cinéfilo, o dançarino de salão, o jogador de rugby e de futebol, o enxadrista, o pianista — o amigo, o namorado, o filho, o tio, o atleta, o artista, o filósofo. O que nunca para de descobrir coisas novas para fazer. Defensor último dos direitos humanos e apaixonado pela melhoria técnica. Movido pela beleza das perguntas impossíveis e pela utilidade das respostas provisórias. Uma criança que cresceu antes da hora; um adulto que nunca deixou de brincar.

"No mesmo gesto clínico, vejo neurônios e alma em ação."

Presente como quem crê e sente a presença de Deus, distante como quem duvida da própria existência. Justo como quem já viveu no inferno, pecador como quem já caiu do céu. Uno com a tecnologia, cético com os algoritmos — porque aprendi que a ferramenta nunca substitui a pergunta. Uma criança que cresceu antes da hora; um adulto que nunca deixou de brincar.

Mas também o que cansa de estar sempre fazendo algo, sempre sendo algo — e finalmente descansa. Em silêncio. O Giovânni.

O que vivi

Problemas com autoestima, autoimagem, obesidade, insônia, ansiedade, depressão, desatenção, vícios e relacionamentos.

Troquei de faculdade. Dentro da psicologia, troquei de caminho.

Não aceitei ser vítima da vida. Tentei sozinho — e foi difícil pedir ajuda. Até que encontrei, e de fato fui ajudado.

O que aprendi

Me comunicar com calma, gentileza e compaixão — comigo e com os outros.

Tolerar pontos de vista diferentes. Colocar limites com cuidado. Aliviar a culpa do passado tirando dele o aprendizado.

Que escolher um caminho envolve abrir mão de outro — e que recomeços também são possíveis.

Ser um profissional de excelência nunca foi uma questão de autoridade ou status. Me especializar, buscar maestria, é prático: preciso ofertar o melhor — estamos falando de saúde mental. Mas antes disso precisei me tornar melhor como pessoa.

Comecei a arriscar mais, saindo da dúvida paralisante. Não permiti mais que o medo do fracasso e as inseguranças me impedissem de tentar fazer o que eu anseio. Me abri para a fragilidade, chorei, fui sincero sobre o que sentia. Fechei a boca, silenciei a mente e aprendi a ouvir — para entender, não para julgar.

Depois de me tornar pessoa, as teorias e as técnicas se tornaram meus instrumentos para encurtar os caminhos.

Construí uma vida com sentido, com a ajuda da sensibilidade humana e da ciência. E agora quero proporcionar o mesmo.

Agora você me
conhece de verdade.

A terapia começa quando você decide confiar em alguém. Espero que essa história tenha ajudado nessa decisão.

Agendar uma conversa →